Ei-los que chegam
O Ciclo de Conversas com o Público a propósito do espectáculo Um assobio no escuro, e subordinado ao tema Os imigrantes que temos – Os emigrantes que fomos chega ao fim no próximo dia 9 de Maio, às 18h, no foyer do TMJB.
A última Conversa tem como convidados os músicos Luís Cília e Francisco Fanhais, que vão debater o tema Ei-los que chegam, moderados pela jornalista Catarina Pires.
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Luís Cília nasceu no Huambo (Angola), em 1943. Veio para Portugal em 1959, para prosseguir os estudos. Em 1962 conheceu o poeta Daniel Filipe, que o incentivou a musicar poesia. Datam desse ano as suas primeiras experiências nesse campo (Meu país, O menino negro não entrou na roda, etc.), mais tarde incluídos no seu primeiro disco gravado em França, para a editora Chant du Monde. Em Abril de 1964 partiu para Paris, onde viveu até 1974. Em França estudou guitarra clássica com António Membrado e composição com Michel Puig. Entre 1964 e 1974 realizou recitais em quase todos os países da Europa. Depois do regresso a Portugal continuou a gravar discos, como compositor e intérprete, e a realizar recitais. Como intérprete, gravou dezoito discos, alguns dos quais dedicados exclusivamente a poetas, tais como Eugénio de Andrade (O peso da sombra), Jorge de Sena (Sinais de Sena) ou David Mourão-Ferreira (Penumbra). Nos últimos anos tem-se dedicado à composição, nomeadamente para teatro, bailado e cinema.
Francisco Fanhais, ex-sacerdote católico e cantor português de intervenção, nasceu em Vila Nova da Barquinha em 1941, entrou para o seminário com dez anos e foi ordenado padre aos 23. Através da música tornou-se uma das vozes mais activas dos chamados católicos progressistas, que combateram a ditadura de Salazar. Em 1969 lançou Cantilenas, o seu disco de estreia. Seguiu-se Canções da Cidade Nova, com poemas de Sophia de Mello Breyner. Impedido de cantar, de exercer o sacerdócio e de leccionar nas escolas oficiais, emigrou para França em 1971. Entretanto tornou-se militante da LUAR. Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974 e colaborou nas campanhas de dinamização cultural do Movimento das Forças Armadas. Em 1975 foi um dos participantes no disco República, de José Afonso. Em 1995 foi feito Oficial da Ordem da Liberdade.
in CTA 02 Maio 2026