O Festival de Almada volta a receber Édouard Louis e Thomas Ostermeier

A História da Violência do escritor francês regressa ao festival, agora na aclamada produção da Schaubühne. Joël Pommerat, Baro d’Evel e Carlo Colla & Figli também estão alinhados para esta edição.

in Público 27 Março 2025 | notícia online

Quatro anos depois de ter passado por Almada para acompanhar as apresentações de dois textos seus, o escritor francês Édouard Louis marcará também a 42.ª edição do festival, a ter lugar entre 4 e 18 de Julho. Em 2021, Almada recebeu as encenações do belga Ivo van Hove e do croata Ivica Buljan para, respectivamente, Quem Matou o Meu Pai e História da Violência. Desta vez, a mesma História da Violência chegará a Portugal na aclamada encenação que o alemão Thomas Ostermeier (também ele de regresso) assinou para a histórica Schaubühne de Berlim.

Neste Dia Internacional do Teatro em que ficam à venda os passes para o festival são ainda anunciados outros regressos: o de La Tempestà, espectáculo de honra do ano passado, escolhido pelo público para repetir a presença em 2025, e o de Joël Pommerat com Marius, já conhecido desde o lançamento da temporada da Companhia de Teatro de Almada, em Janeiro. Também o Centro Cultural de Belém (CCB) anunciara já, no âmbito da sua programação e da parceria com o festival, a vinda da companhia francesa Baro d’Evel com a peça Qui Som? A companhia da casa, por sua vez, estreará no festival Um Adeus Mais-que-Perfeito, do Nobel da Literatura austríaco Peter Handke.

História da Violência, segundo livro publicado por Édouard Louis, em 2016, afirmou o seu nome entre os maiores de uma nova geração de autores franceses, em reconhecimento de uma escrita crua e directa. A partir de um lugar muito pessoal e autobiográfico, a sua obra aborda temáticas como a homossexualidade, o conflito familiar e a falência da esquerda europeia enquanto representante das populações pobres e abandonadas pelos governos centrais. Em História da Violência, foca-se especificamente na descrição do encontro com um desconhecido, com o qual sobe ao seu apartamento para passar a noite de Natal, situação que descambará numa violação e numa cruel agressão.

O livro, que adentra também questões de racismo, colonialismo, homofobia e controlo da narrativa, foi adaptado ao palco em 2018, nesta versão que agora chegará a Almada, por Thomas Ostermeier, Florian Borchmeyer e pelo próprio autor, e terá apresentações a 9 e 10 de Julho no Teatro Joaquim Benite, em Almada. Para Ostermeier, director artístico da Schaubühne e um dos grandes nomes do teatro europeu contemporâneo, esta será a quarta passagem por Almada, depois de ödipus (2022), da dose dupla A Gaivota e Susn (2016) e de Disco Pigs (2002). Pelo meio, em 2019, apresentou Ricardo III no Teatro Nacional D. Maria II.

Também no Teatro Joaquim Benite, a 13 e 14 de Julho, Joël Pommerat apresentará Marius, peça muito especial, nascida do encontro do encenador francês com Jean Ruimi, um homem condenado a pena prolongada, e actualmente a cumpri-la numa prisão de alta segurança em Arles, na Provença. Depois de chamado à prisão pelo director da instituição, e em colaboração com encenadora Caroline Guiela Nguyen, Pommerat montou um espectáculo com Ruimi, a partir das sessões de improvisação com o recluso tornado actor, inspiradas, por sua vez, na peça homónima de Marcel Pagnol.

Na mesma sala, a Companhia de Teatro de Almada, organizadora do festival, estreará, como é habitual, uma nova produção durante esta quinzena em que todos os caminhos teatrais em Portugal vão dar à cidade da Margem Sul. De 5 a 17 de Julho, Teresa Gafeira dirigirá Um Adeus Mais-que-Perfeito, em que Peter Handke se debruça sobre o percurso de vida da sua mãe até ao suicídio final.

Na abertura do festival, a 4 e 5 de Julho, os Baro d’Evel levarão ao palco do CCB Qui Som?, primeira parte de um tríptico em que trabalham sobre a cerâmica e sobre formas de construção colectiva. La Tempestà, que se apresentará a 6 e 7 no Fórum Romeu Correia, é a original adaptação da última peça de Shakespeare pela milanesa Compagnia Carlo Colla & Figli, que recorre à voz gravada do dramaturgo Eduardo De Filippo para falar por quase todas as personagens deste teatro de marionetas.

Esta quinta-feira são colocadas à venda as assinaturas para o festival (de 80 a 100 euros), cuja 42.ª edição juntará 12 criações internacionais e oito nacionais, espalhadas por nove salas de Almada e Lisboa. A restante programação será conhecida a 18 de Junho.

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