
Companhia de Teatro de Almada apresenta mais de 50 produções na nova temporada
Peças de Shakespeare, Júlio Verne ou Tom Murphy na programação da nova temporada da Companhia de Teatro de Almada para 2026. Rodrigo Francisco encenará "Um assobio no escuro".
in Observador 10 Janeiro 2026 | notícia online
Mais de 50 produções de teatro, dança e música fazem a programação da nova temporada da Companhia de Teatro de Almada (CTA), que é apresentada este sábado à noite à população da cidade, no Teatro Municipal Joaquim Benite.
Rodrigo Francisco encenará “Um assobio no escuro”, a obra de estreia de Tom Murphy, uma tragédia escrita em 1961 quando o autor tinha 25 anos, e na qual utilizou a experiência pessoal como filho de uma família numerosa, com quase todos os irmãos emigrados em Inglaterra.
Rejeitada, na altura, pelo Abbey Theatre, em Dublin, sob pretexto de ter “um argumento demasiado violento”, Murphy levou-a para Londres “onde obteve um enorme sucesso”, lê-se na programação da CTA.
Ao olhar para estes emigrantes, defendeu o diretor da CTA, “podemos perceber quais são os problemas com que eles se debatem, nomeadamente as pessoas que hoje em dia procuram um teto em Portugal”.
“Medida por medida”, texto de Shakespeare “que não é feito há bastante tempo em Portugal”, terá encenação de Ignacio García, diretor do Festival de Teatro Clássico de Almagro, na que é a quarta colaboração do argumentista, realizador e encenador espanhol com a companhia.
No Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB), García já dirigiu “História do cerco de Lisboa” (2017), de José Saramago, “Reinar depois de morrer” (2019), de Luis de Guevara, e “Nem come nem deixa comer” (2021), de Lope de Veja. “Uma nova volta ao mundo”, para o público mais novo, terá encenação de Teresa Gafeira.
Estreada na edição 2025 do Festival de Almada, a peça do dramaturgo austríaco, que passou a infância em Berlim Leste, “escalpeliza” os motivos que levaram a mãe a suicidar-se aos 51 anos, numa narativa sobre das condições de vida das mulheres nascidas numa região pobre e agrícola dos anos 1920, na Áustria.
O espetáculo, segundo Rodrigo Francisco, tem “fortes ecos com as mulheres das gerações das nossas mães, que viveram sob a ditadura em Portugal, sob um regime de patriarcado, e que foram impedidas de estudar, condenadas a ser mulheres no sentido de servir a família e estarem subjugadas primeiro aos seus pais e depois aos seus maridos”.
Em termos de acolhimentos, o diretor da CTA frisou a “continuação de abertura de portas a criadores” que ali vão fazer residências artísticas. Como exemplos citou o ator Cláudio da Silva, que em setembro apresentará “Ájax”, de Sófocles, e cinco residências artísticas de outros tantos jovens músicos galardoados com o Prémio Jovens Músicos que se apresentarão ao longo do ano, integrados num ciclo de música de Câmara.
“Amor de perdição”, de Camilo Castelo Branco, com encenação de Maria João Vicente e coprodução do Teatro Nacional de S. João (TNSJ), e “John Gabriel Borkman”, também de Ibsen, com encenação de Joaquim Horta e produção conjunta do Teatro S. Luiz e do TMJB, contam-se igualmente entre os acolhimentos.
“Todos os pássaros”, com texto de Wadji Mouawad, “Os jugoslavos”, de Juan Mayorga, pelos Artistas Unidos, e “Uma performance entre outros”, com texto de Jacinto Lucas Pires, que assina a criação da peça com Flávia Gusmão, são outras das peças acolhidas no TMJB, numa programação que integra ainda espetáculos do Teatro Nacional de S. Carlos, o Festival de Música dos Capuchos e o festival organizado pela Casa da Dança.
Para a edição deste ano do Festival de Almada, em julho, contam-se já as peças “Teatro Delusio”, a apresentar pela companhia alemã Familie Flöz, nos dias 09 e 10, por ter sido eleita “espetáculo de honra” pelo público, na edição de 2025, e “O beijo do asfalto”, de Nelson Rodrigues, nos dias 13 e 14, uma produção do Teatro Nacional S. João, do Porto, com encenação de Miguel Loureiro.
Outras propostas na dança incluem “Parterre”, pelo coreógrafo e bailarino brasileiro Volmir Cordeiro, e “Maneras de Salir”, com conceito e coreografia da bailarina Varinia Canto Vila, ambos em maio, e “Olhos periféricos fazem sismos, línguas enroladas chamam um vulcão”, título provisório da estreia, em outubro, da nova criação de Amador Alina Folini, artista, performer e coreógrafo não binário, oriundo da Argentina e que atualmente se divide entre Lisboa e Amesterdão.
Da programação da CTA para 2026 constam ainda três exposições: “Dicionário de Luz”, de Pedro Castanheira, “Na luz das sombras: Marionetas de sombra do Museu da Marioneta” e “Memórias com futuro”, uma exposição de fotografias de Alípio Padilha. A programação completa da temporada poderá ser consultada no site da CTA.