Festival de Almada regressa em julho e resiste a financiamento curto
A programação do Festival de Almada traz alguns dos mais destacados criadores do mundo do teatro e da dança
Humberto Lameiras in O Setubalense 15 Junho 2026 | notícia online
O Festival de Almada está de regresso este ano nas datas habituais, entre 4 e 18 de julho. Em palco vão estar 19 espetáculos, sendo 12 deles criações internacionais, e sete portugueses. Os espetáculos vão passar por oito palcos de Almada e Lisboa.
A programação do Festival de Almada traz alguns dos mais destacados criadores do mundo do teatro e da dança, como como o alemão Peter Stein, os suíços Christoph Marthaler e Milo Rau, a belga Anne Teresa De Keersmaeker, o sérvio Josef Nadj, o espanhol Israel Galván, ou o francês Mohamed El Khatib. O suíço Martin Martin Zimmermann iria a presentar a coreografia Louise, mas o acidente de uma das atrizes leva-o a trazer o espetáculo Dance Macabre, que terá transmissão em direto na RTP a 4 de julho, o canal irá também gravar a estreia da Companhia de Teatro de Almada, Saudações com encenação de Álvaro Correia.
Além dos espetáculos, os Atos Complementares do Festival incluem um programa quotidiano de encontros com artistas, exposições e formação teatral.
Com um orçamento de 631.0044 euros, cerca de um terço dos custos da 43.º edição do Festival de Almada são receitas próprias da Companhia de Teatro de Almada, a restante parte é financiada pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral da Artes e pela Câmara de Almada que comparticipa com 225 mil euros.
A preocupação e Rodrigo Francisco, diretor artístico do Festival de Almada, são os custos que cada edição acarreta, os quais têm vindo a aumentar de ano para ano, principalmente com a logística.
“Aquilo que mais espero é que, para o ano, possamos estar aqui a anunciar uma programação que vá de encontro àquilo que nós prestamos, que é o serviço Público de Cultura”, disse na apresentação da programação do Festival à Imprensa, na passada manhã da sexta-feira.
“Já manifestámos ao executivo municipal que não é possível manter este formato de festival com o investimento que existe 225 mil euros que remonta já a 2015. Desse ano para cá, os custos mudaram muito, não propriamente com os artistas, mas com a logística associada a um Festival deste tipo com teatro profissional e companhias que vêm de vários países da europa, com os alojamentos e viagens que é preciso suportar”, disse a O SETUBALENSE.
“A situação foi bem entendida pelo executivo municipal, é preciso saber o que vai acontecer para o próximo ano, não estamos dispostos a que haja uma degradação do festival”, acrescentou.
A Companhia de Teatro de Almada é subvencionada por períodos de quatro anos, que terminam agora, pelo Ministério da Cultura. O período de 27/30 já está contratualizado, “mas não está previsto aumento da subvenção”, revela Rodrigo Francisco. “É preciso que esta acompanhe, pelo menos, a inflação”.
Durante a apresentação da programação do Festival, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, frisou que o aumento de custos está a dificultar a realização de iniciativas, nomeadamente para a autarquia.
“Estamos todos estupefactos com o que se está a passar no mundo e, portanto, à procura de algum sentido, e o teatro é, de facto, o meio por excelência para podermos exprimir essa preocupação e começarmos a encontrar coletivamente respostas”.
A autarca afirmou ainda não ter dúvidas que “o teatro é sempre resistência, porque é sempre uma pergunta em permanência e, portanto, sim, aqui em Almada, assumo, assumimos todos, que Almada é e continuará a ser e provavelmente cada vez mais, o espaço da resistência que hoje se impõe. Do meu ponto de vista, a resistência é uma resistência pela inteligência, uma resistência pela não aceitação do que anda por aí a correr e da banalização. Almada é terra de liberdade”.
O festival encerra com A gaivota, de Anton Tchekhov, em encenação de Christian Benedetti, que reúne diferentes leituras contemporâneas da obra ao longo da programação, incluindo também criações de Milo Rau, Miguel Fragata e Raquel Castro, que exploram a influência do texto na criação teatral atual.
Fernando Gomes homenageado nesta edição
Este ano o Festival de Almada homenageia o ator e encenador Fernando Gomes, no dia 10 de julho, às 22h00 no Palco Grande da Escola D. António da Costa.
“A surpresa foi grande e muito agradável. Só tenho é de agradecer a vossa gentileza por se terem lembrado de mim”, disse Fernando Gomes na apresentação da programação do Festival.

No dia 4 de julho é inaugurada no Átrio da Escola D. António da Costa a instalação de homenagem a Fernando Gomes, A Paródia de um Rei Sem Palácio, com conceção plástica de José Manuel Castanheira.
Fernando Gomes formou-se em teatro em 1974 no Teatro Experimental de Cascais, sob direção de Carlos Avilez, seguindo-se trabalhos com Filipe Lá Féria, João Mota e João Brites.
No início dos anos 80 foi um dos pioneiros do movimento Café-Teatro. Em 1988 adapta e encena uma novela de Camilo Castelo Branco, Maria! Não me mates, que eu sou a tua mãe.
Colaborou com vários tetros e, no teatro para a infância destaca-se no Teatro Infantil de Lisboa. Como ator já participou em mais de 150 espetáculos.