Rodrigo Francisco, Adriano Carvalho e Erica Rodrigues mergulham em “Um Assobio no Escuro”
Joaquim Paulo Nogueira in coffeepaste 17 Abril 2026 | notícia online
Aquilo que era para ser uma simples conversa com o Rodrigo Francisco sobre “O Assobio no Escuro”, de Tom Murphy que a Companhia de Teatro de Almada estreou dia 10 de abril no seu Teatro Municipal Joaquim Benite, ele avisara-me logo que agora só podia falar sobre a peça, que não tinha cabeça para mais nada, transformou-se, por um percalço, numa espécie de imersão no laboratório que se constrói para levantar um texto e fazer dele um espetáculo.
Comecei por ver um ensaio e nesse dia conversar com o Adriano Carvalho e a Erica Rodrigues, que fazem, respectivamente, Mr Carney, o patriarca, e Betty, a mulher de Michael. Tentei com eles destapar um pouco deste processo com que um actor e uma actriz se apoderam de uma personagem, criando uma investigação sobre as suas múltiplas dimensões, bem como do enquadramento social e histórico que envolvem as personagens. No dia seguinte fui a casa do Rodrigo e, depois dele adormecer o seu filho pequeno, dois anos apenas, falou-nos do seu encontro com este texto de Tom Murphy, que conheceu quando Nuno Carinhas lhe falou porque Paulo Eduardo de Carvalho – importante tradutor, critico e ensaísta portuense precocemente desaparecido – tinha traduzido vários textos dele.
É fascinante isto do ponto de vista do espectador, creio: a viagem que os actores e o encenador têm de fazer para darem robustez e verdade cénica a um texto dramático.