
22º Festival de Almada dedicado à poesia
O Odéon – Teatro da Europa vem a Portugal pela primeira vez
O encenador, realizador, ensaísta e tradutor Artur Ramos é a figura a homenagear na 22.ª edição do Festival Internacional de Teatro de Almada, que se realiza entre 4 e 18 de Julho próximo e que este ano é dedicado à poesia.
O certame, organizado pela Companhia de Teatro de Almada e pela Câmara, começa e acaba com um recital: no dia 4, João Grosso dirá Manucure, de Mário Sá-Carneiro, e no dia 18 (coincidindo com a abertura oficial do novo Teatro Municipal de Almada), a actriz Teresa Gafeira e a soprano Isabel Biou interpretarão, respectivamente, Cesário Verde e árias de compositores modernistas portugueses.
A grande surpresa do festival, contudo que este ano traz a Almada 23 companhias, 12 das quais estrangeiras é a vinda a Portugal, pela primeira vez, do Odéon Teatro da Europa, onde se escreveram várias páginas da História do Teatro Francês.
Fundada em 1782, o Odéon atravessou a Revolução Francesa, viu nascer para o palco a actriz Sarah Bernhard e o primeiro encenador digno desse nome (André Antoine) e foi dirigido por essa lenda teatral que dá pelo nome de Jean-Louis Barrault.
A Almada, a trupe francesa trará A Rosa e o Machado, escrito pelo italiano Carmelo Bene a partir do Ricardo III de Shakespeare e que se estreou em França no ano passado.
Quanto às companhias nacionais, assinalem-se três grandes estreias: Music-Hall, de Jean-Luc Lagarce, pelos Artistas Unidos; Os Guardas do Museu de Bagdad, de José Peixoto; e A Rainha Viva, de Montherlant, encenado por Suzana Borges. Com um orçamento de 500 mil euros, o festival inclui ainda música, dança, exposições e debates.
Ana Maria Ribeiro com Lusa
in Correio da Manhã, 17 jun 2005