Festival Almada 1984/2002

Festival de Almada 1995

Festival: dores de crescimento Eugénia Vasques, Expresso, 22 de Julho de1995

Em 1995 os espectáculos do Festival de Almada decorreram na Escola D. António da Costa, no Largo do MFA, na Casa de Cerca, no antigo TMA e na Incrível Almadense. Mais uma vez, estenderam-se à Costa da Caparica (Largo do Mercado) e Cacilhas (Largo Alfredo Dinis e Pavilhão Nimbus). Ao nível da programação, o Festival continua a apostar numa estratégia de descoberta: com um orçamento reduzido e sem poder contratar as mais conceituadas companhias dos circuitos de prestígio, a solução é a pesquisa da qualidade em grupos menos conhecidos. É com este intuito que o Festival recebe, pela primeira vez, uma companhia do Zimbabué: a Rooftop Promotions Theatre, o único grupo inter-racial daquele país. Por outro lado, cresce o reconhecimento da imprensa estrangeira, que se refere ao Festival de Almada como um exemplo de programação e de espírito de abertura. A revista parisiense Du théâtre escreve que: “Os espectáculos apresentados nem sempre são os mais conhecidos dos circuitos internacionais ou nacionais. Para Joaquim Benite, essa diversidade corresponde à sua intenção de oferecer aos almadenses uma ocasião para assistir a espectáculos diferentes, e provocar a confrontação de estéticas divergentes”
Eugénia Vasques, Expresso, 22 de Julho de1995


Espectáculo de Honra

GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA – A Comuna

Espectáculos

A noite dos assassinos, de José Triana. Encenação de Mattia Sebastiano. Centro Attori – Itália

Os pequenos ofícios, de Tony Duvert. Encenação de José Manuel Cano Lopez. Autruche Théâtre – França

Opera pia, de Betrice Randi e Diego Carli. Zumpa & Lallero – Itália

Quarteto, de Heiner Müller. Encenação de Theodoros Terzopoulos. Teatro Taganka – Rússia

O aumento, de Georges Perec. Encenação de Sergi Belbel. La Jácara – Espanha

Quando Teodoro se muera, de Tomaz Gonzalez. Encenação de José Antonio Gonzalez. Compañía Galiano 108 – Cuba

A maldição de Poe, a partir de Edgar Allan Poe. Encenação de Jesús Peña. Teatro Corsário – Espanha

Perdonen la tristeza, de Manolo Romero. Encenação de Paco de la Zaranda. La Zaranda – Espanha

Vai ver se chove, a partir de Georges Courteline. Encenação de Miguel Guilherme. Teatro da Cornucópia

Strange bedfellows, de Steve Chifuntyse. Encenação de Helge Skoog. Rooftop Promotions Theatre – Zimbabué

Restos. Texto e encenação de Josef Szajna. Companhia de Teatro de Almada

Lorca, Espanha, cumplicidades, de vários autores. Encenação de Armando Caldas. Intervalo – Grupo de Teatro

Terceira estação, de João Paulo Seara Cardoso. Teatro de Marionetas do Porto

Os exploradores em Ozeanário. Grupo Zéphyro

Alazon, a partir de Plauto. Encenação de Yolanda Alves. Teatro de Papel

Na ausência do senhor von Goethe, de Peter Hacks. Encenação de Graziella Galvani. Teatro Nacional D. Maria II

Comédia Eufrosina, de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Encenação de Silvina Pereira. Teatro Maizum

O pescador e a alma, a partir de Oscar Wilde. Encenação de Filipe Pereira e Christinne Villepoix. ACTO

Marly, de Carlos Queiroz Telles. Encenação de Maria do Céu Guerra. A Barraca

Morte de um caixeiro-viajante, de Arthur Miller. Encenação de José Peixoto. Teatro da Malaposta

Dou-che-lou-só, de Eduarda Dionísio. Encenação de Antonino Solmer. O Grupo

O arranca lágrimas. Texto e produção de José Alberto Gil

Guerras do Alecrim e Manjerona, de António José da Silva. Encenação de João Mota. A Comuna

O inquisitório, de Robert Pinget. Encenação e produção de Diogo Dória

Filopópolus, de Virgílio Martinho. Encenação de Joaquim Benite. Companhia de Teatro de Almada

Até as coristas falam, de Fernando Gomes. A Comuna

El viaje en Paracaídas, de vários autores. Direcção de Juan Cercas – Espanha

Teatro de Autómatos. Direcção de Gonzalo Canas – Espanha


FESTIVAL X

Se o “teatro tradicional” tem um público fiel em Almada, os grupos que se dedicam à pesquisa de novas linguagens procuram, também eles, cativar novos espectadores. Nesse sentido o colectivo O Olho está a preparar uma iniciativa paralela, a decorrer entre 5 e 16 de Julho, no espaço Lemauto, em Cacilhas. O Festival X conta com a participação garantida de 18 grupos e 6 artistas em nome individual. João Garcia Miguel, responsável pela organização, explica que o objectivo é “aproveitar a movimentação gerada em torno do Festival de Almada para trazer à cidade espectáculos que normalmente não são aqui apresentados”. O Festival X será assim “um espaço multidisciplinar, com teatro, dança, música, audiovisuais e artes plásticas”.
Diário de Notícias

Almada apresentou dois festivais em Julho passado. Quinze companhias portuguesas e dez estrangeiras, de importância e qualidade bastante diferentes, foram apresentadas durante a 12ª edição do Festival de Almada, o maior festival do país. Ao mesmo tempo, e pela 1ª vez, decorreu o Festival X, que apresentou espectáculos da nova cena teatral portuguesa.
Du Thèâtre (França)


Carlos Paredes

personalidade homenageada
Carlos Paredes
Carlos Paredes

Poucas pessoas que tenham visto Carlos Paredes actuar em cima de um palco, ou ouvido alguma das suas gravações, souberam resistir à força visceral das notas que soletra, como se a tradição da guitarra portuguesa sofresse nas suas mãos um impulso que se afasta do habitual sentimento do fado, para lhe dar uma configuração mais de acordo com o virtuosismo em busca de um futuro em expansão. Não deixa de ser interessante lembrar que o guitarrista, que foi um dos fundadores do Grupo de Campolide, confessa que falhou como violinista e cantor, não resistindo à magia da guitarra e à utilização das suas possibilidades históricas, que Coimbra lhe devolveu intactas nas práticas juvenis das suas ruas e cafés. A propensão de Paredes para o virtuosismo e o melodismo de sugestão violinística contribuiu para criar uma nova geração de músicos, que lhe devem não só o aperfeiçoamento estrutural da guitarra portuguesa como a criação da guitarra baixo.
António Viana


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