Festival Almada 1984/2002

Festival de Almada 1991

O segredo de Almada: ar livre Carlos Porto, Jornal de Letras, 23 de Julho de 1991

A VIII edição do Festival de Almada foi vista como constituindo um salto qualitativo. As sessões decorreram no antigo TMA, no Largo Conde Ferreira, na Incrível Almadense, na Boca do Vento e no Palácio da Cerca. Este ano, o Festival teve a particularidade de incluir três estreias absolutas: Lusos da ribalta e Mozart e Salieri, pela Companhia de Teatro de Almada, e Ele há coisas do diabo, pelo Centro Dramático Intermunicipal Almeida Garrett. Nesta edição, “o Festival começa a afirmar de forma mais assertiva a sua caracterização dentro do panorama e da geografia dos festivais nacionais”, segundo escreve Eugénia Vasques no Expresso de 29 de Junho. Com efeito, é reconhecida abertamente a contribuição do Festival de Almada para a reestruturação do tecido urbano, como é referido num artigo do Expresso, a 27 de Julho: “a importância do Festival reflecte-se paralelamente na promoção e recuperação do património local. Para além da requalificação da zona antiga da cidade, as necessidades criadas pelo Festival de Almada suscitaram já, por exemplo, a criação de locais de lazer (o Bar-Galeria de Exposições da Cerca), o melhoramento das zonas necessárias para o alargamento do número de espaços disponíveis (a recuperação e ajardinamento do Pátio da Boca do Vento) e, sobretudo, a aquisição e recuperação do Palácio da Cerca”. Outro aspecto relevante do Festival é o objectivo de constante evolução e adaptação programática aos gostos moventes dos públicos. Uma vez que o Festival de Almada atrai uma quantidade considerável de jovens, as necessidades artísticas e estéticas diversificam-se, traduzindo-se numa progressiva inclusão de espectáculos de teor mais experimental e de manifestações de carácter formativo (por exemplo, a realização de um workshop sobre Teatro de Rua).


Espectáculo de Honra

ODE MARÍTIMA . João Grosso

Espectáculos

Au diable, Arlequin!, de Dima Vezzani. Encenação de Dima Vezzani e Alberto Nasson. Scalzacani – Itália

Yerma, de Federico García Lorca. Encenação de Etelvino Vázquez. Teatro del Norte – Espanha

Historia de una cara, de Eduardo Pavlovski. Encenação de Miguel Esposito. Teatro Studio de Gijon – Espanha

Ahola no es de leil, de Alfonso Sastre. Encenação de Arturo Castro. Teatro Margen – Espanha

Le malade repenti, de Gilbert Gilet. Encenação de Jean Louis Daumont. Théâtre de l’Arte – França

Lazarillo de Tormes, de Fernando Fernán Gomez. Encenação de Rafael Alvarez e Juan Viadas. Producciones El Brujo – Espanha

Dances of patience and desolation. Teatret Cantabile 2 – Dinamarca

A vida do grande D. Quixote de La Mancha, de António José da Silva. Encenação de José Oliveira Barata. Bonifrates

Mozart e Salieri, de Pushkin. Encenação de Joaquim Benite. Companhia de Teatro de Almada

Simplement compliqué, de Thomas Bernhard. Encenação de Yvon Lapous. Théâtre de la Chamaille – França

Lusos da ribalta, texto colectivo. Encenação de Ramón Perez. Companhia de Teatro de Almada

Viviriato, de vários autores. Encenação de João Brites. O Bando

Pressentimentos amores, a partir de Tchecov. Encenação de Armando Caldas. Intervalo – Grupo de Teatro

Harpa céltica e voz. Myrdhain – França

Liberdade em Bremen, de Fassbinder. Encenação de Hélder Costa. A Barraca

Ele há coisas do diabo, a partir de Gil Vicente. Encenação de José Peixoto. Teatro da Malaposta

Ode marítima, de Fernando Pessoa. Encenação e produção de João Grosso

Terra, de Abel Neves. Encenação de João Mota. A Comuna

Festival da Otite 2, de Carlos Paulo. Encenação de João Mota. A Comuna


Já agora não esqueçamos um dos grandes trunfos deste Festival, mesmo quando sopra uma nortada forte: o ar livre, a noite cheia de estrelas, a diferença de estar, a diferença de ser, deste modo, espectador. Não será esse um dos segredos do êxito deste festival?
Carlos Porto, Jornal de Letras, 23 de Julho de 1991

À zona velha da cidade chega, mais uma vez, a oitava consecutiva, o teatro de vários países. As novas realizações de um Festival vocacionado para o Verão e para o ar livre que nasceu “sem apoios nem ambições” e actualmente dá cartas e atrai o grande público.
Diário de Notícias, 26 de Junho de 1991


Costa Ferreira

personalidade homenageada
Costa Ferreira

Vem a propósito transcrever o que muito recentemente me disse um encenador: “Há 20 anos criticávamos Costa Ferreira, e hoje penso que ele é que tinha razão; que era o mais moderno de todos. E hoje ainda o é!”. Começa a fazer-se justiça. Já em tempos Antonino Solmer homenageou o mestre e o homem de teatro publicamente. E é agora esta Festa do Teatro que lhe é dedicada. Mas a melhor homenagem que se lhe pode prestar hoje é representá-lo. E o futuro próximo se encarregará de mostrar que Costa Ferreira continua indispensável ao teatro português.
António Gomes Marques


mostrar mais
Close
Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker